Na doce vivência da maternidade existem fatos incontestáveis
com os quais você tem que lidar. Um deles é o de que a rua é um mundo paralelo,
um universo surreal onde as leis da rotina familiar, definitivamente, não se
aplicam. Porque na rua existe um vilão, um aliado que a criança descobre antes
mesmo de aprender a pronunciar a primeira sílaba: a opinião pública. E não se
iluda, minha amiga. Perante a opinião pública você sempre será crucificada.
Quer um exemplo clássico? A birra. Em casa você sabe como lidar com ela (ou
não). Mas, de um modo ou de outro, sabe como se virar. Na rua, não. Basicamente, é assim:
-
Se você conversa com a criança calmamente, em
total estilo mãe-ultra-moderna-antenada-na-pedagogia-da-conversa-e-explicação
ou se resolve fingir que não é com você enquanto a criança berra e esperneia,
imediatamente recebe os olhares do tipo “criança mimada, bem feito, culpa da
mãe”.
-
Se você repreende a criança ou, dependendo da
birra e do motivo, dá-lhe uma palmada, imediatamente recebe os olhares do tipo “vou
chamar o conselho tutelar”.
Outro dia fui com o Antônio na feira aqui perto de casa e
ele jogou, de propósito, um como de suco no chão, porque não queria. E eu
estava já num processo de explicar que não se pode desperdiçar comida, porque
tem muita gente passando fome, etc, etc. Foi tipo uma gota d’água nesse
processo e eu, que raramente dou uma palmada nos meus filhos, tasquei-lhe uma
palmada na mão. A opinião pública foi
implacável e se não fosse o dono da barraca de pastel, que já me conhece, me
dar um suporte, eu teria sido linchada ou levada para a delegacia...
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