quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Opinião Pública

Na doce vivência da maternidade existem fatos incontestáveis com os quais você tem que lidar. Um deles é o de que a rua é um mundo paralelo, um universo surreal onde as leis da rotina familiar, definitivamente, não se aplicam. Porque na rua existe um vilão, um aliado que a criança descobre antes mesmo de aprender a pronunciar a primeira sílaba: a opinião pública. E não se iluda, minha amiga. Perante a opinião pública você sempre será crucificada. Quer um exemplo clássico? A birra. Em casa você sabe como lidar com ela (ou não). Mas, de um modo ou de outro, sabe como se virar. Na rua, não.  Basicamente, é assim:

-       Se você conversa com a criança calmamente, em total estilo mãe-ultra-moderna-antenada-na-pedagogia-da-conversa-e-explicação ou se resolve fingir que não é com você enquanto a criança berra e esperneia, imediatamente recebe os olhares do tipo “criança mimada, bem feito, culpa da mãe”.

-       Se você repreende a criança ou, dependendo da birra e do motivo, dá-lhe uma palmada, imediatamente recebe os olhares do tipo “vou chamar o conselho tutelar”.


Outro dia fui com o Antônio na feira aqui perto de casa e ele jogou, de propósito, um como de suco no chão, porque não queria. E eu estava já num processo de explicar que não se pode desperdiçar comida, porque tem muita gente passando fome, etc, etc. Foi tipo uma gota d’água nesse processo e eu, que raramente dou uma palmada nos meus filhos, tasquei-lhe uma palmada na mão.  A opinião pública foi implacável e se não fosse o dono da barraca de pastel, que já me conhece, me dar um suporte, eu teria sido linchada ou levada para a delegacia...

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