Tenho duas primas irmãs: Flávia e Clara. Hoje, no almoço, coloquei um ovo frito no prato do Antônio e ele perguntou:
- Mãe, qual é a Flávia?
- Que Flávia, Antônio?
- A Flávia do ovo....
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Que tipo de mãe você é?
Nas reuniões de pais da escola, geralmente encontramos 5 tipos de mães:
Supermãe:
Não acha. Tem certeza de que seu filho é perfeito (e os pais também, lógico) e vai à reunião com o principal objetivo de ouvir elogios dos professores ao seu príncipe superdotado. Ela pode até não ouvir só elogios, mas os não elogios são deletados automaticamente do seu orgulho de mãe-incrível.
Mãe prosa:
Gosta de uma boa conversa. Aproveita a reunião para um aprofundado bate-papo com os professores: conta as aventuras do filho, como ele é em casa, o que ela faz em relação à educação dele ou, ainda, fala sobre ela mesma.
Mãe CDF: Anota tudo o que o professor fala. Escarafuncha os detalhes sobre os métodos pedagógicos (embora tenham sido passados no início do ano), questiona, sugere, pergunta.
Para-sempre-mamãe:
Acha que o filho é um bebê e que nunca conseguirá sobreviver sem ela. Faz os trabalhos e as lições de casa com ele (ou ela mesma, se for uma maquete muito complicada), toma as dores nas brigas bobas dele com os colegas e não perde a oportunidade de brigar com os professores, com os pais ou mesmo com os próprios alunos de igual para igual (o que mostra o nível de amadurecimento da para-sempre-mamãe).
Mãe-tranquila:
É o tipo mais equilibrado de mãe, segundo as minhas observações de “Mãe que não tem o que fazer enquanto espera a sua vez na reunião de pais”. Tem consciência dos pontos fortes e fracos do filho, sabe o que professor vai dizer e, portanto, não estica muito a conversa. Tem autoconfiança e segurança suficientes para aceitar feliz um elogio e ouvir com atenção uma crítica. Acompanha o andamento do filho na escola, sem interferir além da sua esfera de mãe.
obs: Obviamente eu acho que me encaixo no tipo “Mãe tranquila”. Mas a nossa visão sobre nós mesmos é sempre um pouco distorcida.
* Do meu livro "Mãe de Dois", Ed. Civilização Brasileira.
Supermãe:
Não acha. Tem certeza de que seu filho é perfeito (e os pais também, lógico) e vai à reunião com o principal objetivo de ouvir elogios dos professores ao seu príncipe superdotado. Ela pode até não ouvir só elogios, mas os não elogios são deletados automaticamente do seu orgulho de mãe-incrível.
Mãe prosa:
Gosta de uma boa conversa. Aproveita a reunião para um aprofundado bate-papo com os professores: conta as aventuras do filho, como ele é em casa, o que ela faz em relação à educação dele ou, ainda, fala sobre ela mesma.
Mãe CDF: Anota tudo o que o professor fala. Escarafuncha os detalhes sobre os métodos pedagógicos (embora tenham sido passados no início do ano), questiona, sugere, pergunta.
Para-sempre-mamãe:
Acha que o filho é um bebê e que nunca conseguirá sobreviver sem ela. Faz os trabalhos e as lições de casa com ele (ou ela mesma, se for uma maquete muito complicada), toma as dores nas brigas bobas dele com os colegas e não perde a oportunidade de brigar com os professores, com os pais ou mesmo com os próprios alunos de igual para igual (o que mostra o nível de amadurecimento da para-sempre-mamãe).
Mãe-tranquila:
É o tipo mais equilibrado de mãe, segundo as minhas observações de “Mãe que não tem o que fazer enquanto espera a sua vez na reunião de pais”. Tem consciência dos pontos fortes e fracos do filho, sabe o que professor vai dizer e, portanto, não estica muito a conversa. Tem autoconfiança e segurança suficientes para aceitar feliz um elogio e ouvir com atenção uma crítica. Acompanha o andamento do filho na escola, sem interferir além da sua esfera de mãe.
obs: Obviamente eu acho que me encaixo no tipo “Mãe tranquila”. Mas a nossa visão sobre nós mesmos é sempre um pouco distorcida.
* Do meu livro "Mãe de Dois", Ed. Civilização Brasileira.
Pílulas
Já imaginaram a sensação de acordar no Alaska, almoçar no Caribe e dormir nas Serras Gaúchas? Pra quem mora em São Paulo, isso é fácil... O clima vai de um extremo a outro várias vezes por dia! Credo.
***
Ser mãe é... Perder completamente os pudores e a noção de nojo. Hã? Nojo? O que é isso? Afinal, que é que tem lamber um vomitozinho da bochecha do nenê ou enfiar o dedo na fralda para ver se tem cocô e, sim, tem!!!!????
***
Ser mãe é... Perder completamente os pudores e a noção de nojo. Hã? Nojo? O que é isso? Afinal, que é que tem lamber um vomitozinho da bochecha do nenê ou enfiar o dedo na fralda para ver se tem cocô e, sim, tem!!!!????
O que você quer para o seu filho?
Quando me fizeram essa pergunta, a resposta saiu clara, imediata, sincera, sem que eu nem pensasse à respeito dela: "Quero que ele seja uma pessoa boa". Porque acho que todo o resto decorre disso. E você, já pensou no que quer para o seu filho?
Um beijinho pra vocês meninas e que a noite seja linda e - lógico - tranquila!!!!
Um beijinho pra vocês meninas e que a noite seja linda e - lógico - tranquila!!!!
Para melhorar o mundo
Coisas que iriam melhorar o mundo (porque tudo o que melhora a vida de uma mãe, certamente melhora o mundo):
- O móbile deveria ser automático, com bateria de longa duração recarregável e controle remoto.
- As funcionárias das padarias deveriam ter um treinamento específico para oferecer pão integral sem glúten para os pequenos em vez de carolina recheada com doce de leite ou pirulito.
- As cadeirinhas para os carros deveriam vir com um técnico acoplado, tanto para instalar e desinstalar o objeto quantas vezes for necessário, quanto para ensinar a criança a ficar sentada nelas.
- O móbile deveria ser automático, com bateria de longa duração recarregável e controle remoto.
- As funcionárias das padarias deveriam ter um treinamento específico para oferecer pão integral sem glúten para os pequenos em vez de carolina recheada com doce de leite ou pirulito.
- As cadeirinhas para os carros deveriam vir com um técnico acoplado, tanto para instalar e desinstalar o objeto quantas vezes for necessário, quanto para ensinar a criança a ficar sentada nelas.
Sutiã
O primeiro dia em que usei dois sutiãs porque todos estavam velhos (escolhi um com bojo bom mas alça laceada, e outro com bojo furado mas alça firme), entendi como um ato de desespero numa emergência. Agora que isso virou rotina, não sei o que pensar de mim...
Vamos quebrar tudo?
Conversa entre o Felipe, meu marido, o Bruno Bad Boy, amigo dele que tem uma banda cover do Pink Floyd (o Ummagumma) muito legal, e o Daniel meu filho (quando ele tinha uns 6 anos):
Felipe: E aí, beleza?
Bad: Beleza, brou?
Daniel: (silêncio).
Felipe: Como é que vai ser aí, mano?
Bad: Vamos quebrar tudo!
Daniel: (espanto).
Daniel: Vocês vão quebrar tudo?
Bad (levando o não-entendimento adiante): Vamos, cara, tudo!
Daniel: Até o vidro da bateria? (apontando para o acrílico)
Bad: Até o vidro da bateria.
Daniel: Mas, como vocês vão quebrar? Chutando?
Bad: É, chutando, pulando em cima.
Daniel: Mas aí vai estragar.
Bad: Não tem problema, depois o Moe vem e cola com super bonder.
Daniel: Eu posso quebrar também?
Bad: Claro, mano.
Daniel: Pai, me traz no show do Ummagumma?
* Extraído do blog e livro "Mãe de Dois" (ed. Civilização Brasileira)
Felipe: E aí, beleza?
Bad: Beleza, brou?
Daniel: (silêncio).
Felipe: Como é que vai ser aí, mano?
Bad: Vamos quebrar tudo!
Daniel: (espanto).
Daniel: Vocês vão quebrar tudo?
Bad (levando o não-entendimento adiante): Vamos, cara, tudo!
Daniel: Até o vidro da bateria? (apontando para o acrílico)
Bad: Até o vidro da bateria.
Daniel: Mas, como vocês vão quebrar? Chutando?
Bad: É, chutando, pulando em cima.
Daniel: Mas aí vai estragar.
Bad: Não tem problema, depois o Moe vem e cola com super bonder.
Daniel: Eu posso quebrar também?
Bad: Claro, mano.
Daniel: Pai, me traz no show do Ummagumma?
* Extraído do blog e livro "Mãe de Dois" (ed. Civilização Brasileira)
Você é uma mãe de verdade?
Teste para saber se você é uma mãe de verdade. Escolha A ou B nos tópicos abaixo:
Gravidez 1:
A) Você se sente o tempo todo serena, abençoada e iluminada.
Tem hora que você se sente perdida e se pergunta se aquilo realmente deveria estar acontecendo.
Gravidez 2:
A) Você se sente segura e não tem dúvidas de que dará conta do recado.
Você, por muitas vezes, praticamente entra em pânico e tudo o que quer é se esconder num buraco ou no colo da sua mãe.
Parto 1:
A) Faz a respiração cachorrinho igual ensinado na aula de respiração para gestantes do curso de parto humanizado e tem o bebê ao som de música clássica, com um lindo e tranquilo sorriso no rosto.
Manda a respiração de cachorrinho para o quinto dos infernos, implora por uma anestesia dupla e berra desesperadamente enquanto pari o bebê.
Parto 2:
A) Uma semana após o parto sai para passear com o rebento, no seu melhor figurino estilo-mãe, de barriga chapada, pele macia e cabelos escovados.
Uma semana após o parto e você ainda não conseguiu lavar os cabelos, ganhou olheiras que não tinha e desconfia de que o médico esqueceu um segundo bebê na sua barriga porque, afinal, ela ainda está lá.
Educação dos filhos 1:
A) Você conversa sobre tudo com seu pequeno, seguindo literalmente as recomendações de manter o diálogo acima de tudo. Afinal, são todos adultos, ou serão.
Em algumas ocasiões você odeia não ter frequentado as aulas de basquete na adolescência porque, assim, teria uma mira certeira para atirar objetos não cortantes no rebento enquanto ele foge de você.
Educação dos filhos 2:
A) Você não se culpa, pois sabe que faz o seu melhor, e faz bem.
Você se culpa o tempo todo e, por mais que faça o seu melhor, ainda acha que não é o suficiente.
Resultado:
Se você marcou mais a opção A, por favor, peça para algum cientista decifrar o seu código genético e passar pra gente!
Se você marcou mais a opção B, bem vinda ao clube, você é uma mãe de verdade realmente!
Gravidez 1:
A) Você se sente o tempo todo serena, abençoada e iluminada.
Tem hora que você se sente perdida e se pergunta se aquilo realmente deveria estar acontecendo.
Gravidez 2:
A) Você se sente segura e não tem dúvidas de que dará conta do recado.
Você, por muitas vezes, praticamente entra em pânico e tudo o que quer é se esconder num buraco ou no colo da sua mãe.
Parto 1:
A) Faz a respiração cachorrinho igual ensinado na aula de respiração para gestantes do curso de parto humanizado e tem o bebê ao som de música clássica, com um lindo e tranquilo sorriso no rosto.
Manda a respiração de cachorrinho para o quinto dos infernos, implora por uma anestesia dupla e berra desesperadamente enquanto pari o bebê.
Parto 2:
A) Uma semana após o parto sai para passear com o rebento, no seu melhor figurino estilo-mãe, de barriga chapada, pele macia e cabelos escovados.
Uma semana após o parto e você ainda não conseguiu lavar os cabelos, ganhou olheiras que não tinha e desconfia de que o médico esqueceu um segundo bebê na sua barriga porque, afinal, ela ainda está lá.
Educação dos filhos 1:
A) Você conversa sobre tudo com seu pequeno, seguindo literalmente as recomendações de manter o diálogo acima de tudo. Afinal, são todos adultos, ou serão.
Em algumas ocasiões você odeia não ter frequentado as aulas de basquete na adolescência porque, assim, teria uma mira certeira para atirar objetos não cortantes no rebento enquanto ele foge de você.
Educação dos filhos 2:
A) Você não se culpa, pois sabe que faz o seu melhor, e faz bem.
Você se culpa o tempo todo e, por mais que faça o seu melhor, ainda acha que não é o suficiente.
Resultado:
Se você marcou mais a opção A, por favor, peça para algum cientista decifrar o seu código genético e passar pra gente!
Se você marcou mais a opção B, bem vinda ao clube, você é uma mãe de verdade realmente!
Passatempo
A gente, que é mãe, tem que ter um passatempo, algo para fazer nas raras horas de calmaria. Uma amiga esteve na minha casa essa semana e disse que não consegue me entender, justamente por causa dos meus passatempos favoritos atualmente que, segundo ela, não combinam:
A) O livro “El sueno del celta”, do Mario Vargas Llosa, que narra em espanhol duas expedições que denunciaram os abusos no Congo e Amazônia coloniais. Livro incrível, já estou no finalzinho!
O programa “Esquadrão da Moda”, do Discovery Home & Health. Gente, como eu queria que o Clinton e a Stacy aparecessem aqui em casa com aquele cheque de 5 mil dólares para comprar roupas em Nova York!!! No meu caso, com alguns ajustes: 1) que eles mesmos tirassem as minhas medidas e fizessem as compras, porque d-e-t-e-s-t-o fazer compra; 2) que o guarda-roupa novo viesse com o “cardápio semanal de figurino”, porque se depender de mim para escolher as peças, não vai dar certo...
A) O livro “El sueno del celta”, do Mario Vargas Llosa, que narra em espanhol duas expedições que denunciaram os abusos no Congo e Amazônia coloniais. Livro incrível, já estou no finalzinho!
O programa “Esquadrão da Moda”, do Discovery Home & Health. Gente, como eu queria que o Clinton e a Stacy aparecessem aqui em casa com aquele cheque de 5 mil dólares para comprar roupas em Nova York!!! No meu caso, com alguns ajustes: 1) que eles mesmos tirassem as minhas medidas e fizessem as compras, porque d-e-t-e-s-t-o fazer compra; 2) que o guarda-roupa novo viesse com o “cardápio semanal de figurino”, porque se depender de mim para escolher as peças, não vai dar certo...
Me dá um irmãozinho?
– Mãe, me dá um irmãozinho?
Eu, cheia de pompa e nove horas, respondi:
– Meu querido, bem que eu gostaria, mas não é tão simples
assim.
Inconformado, virou-se para o pai:
– Pai, me dá um irmãozinho?
O Felipe incorporou aquele jeito de quem vai explicar
algo sério e imprescindível e começou a discursar sobre as dificuldades filosóficas e financeiras de ter outro filho.
– Não é simples, Daniel, é complicado. Ter um filho custa
caro e é preciso planejar, estar preparado, porque envolve uma
série de questões... e blá-blá-blá...
Sem se mexer, deitado como estava no sofá, ele nos olhou
com o ar mais natural do mundo e perguntou, sem demora:
– Cêis cruza quando cêis qué?
(...)
Sem saber o que fazer ou falar, respondi:
– É.
– Então, por que cêis num cruza?
Simples assim.
* Trecho extraído do meu livro "Mãe de Dois". Uma boa noite pra vocês!!!
Eu, cheia de pompa e nove horas, respondi:
– Meu querido, bem que eu gostaria, mas não é tão simples
assim.
Inconformado, virou-se para o pai:
– Pai, me dá um irmãozinho?
O Felipe incorporou aquele jeito de quem vai explicar
algo sério e imprescindível e começou a discursar sobre as dificuldades filosóficas e financeiras de ter outro filho.
– Não é simples, Daniel, é complicado. Ter um filho custa
caro e é preciso planejar, estar preparado, porque envolve uma
série de questões... e blá-blá-blá...
Sem se mexer, deitado como estava no sofá, ele nos olhou
com o ar mais natural do mundo e perguntou, sem demora:
– Cêis cruza quando cêis qué?
(...)
Sem saber o que fazer ou falar, respondi:
– É.
– Então, por que cêis num cruza?
Simples assim.
* Trecho extraído do meu livro "Mãe de Dois". Uma boa noite pra vocês!!!
Boa notícia, má notícia
Boa notícia do dia: minha calça listrada que ganhei quando o Antônio nasceu está me servindo!! E estou me achando linda nela!
Má notícia do dia: o Antônio nasceu tem quase três anos e a calça é um número a mais do que eu usava antes de engravidar dele...
Mas, como diria o sábio: se não pode contra eles, junte-se a eles! Por isso, estou alimentando cada vez mais uma simpatia pelos meus quilos extras!
Má notícia do dia: o Antônio nasceu tem quase três anos e a calça é um número a mais do que eu usava antes de engravidar dele...
Mas, como diria o sábio: se não pode contra eles, junte-se a eles! Por isso, estou alimentando cada vez mais uma simpatia pelos meus quilos extras!
Eu não sou pequeno
- Tesoura não é de criança pequena, Antônio!
- Mas eu não sou pequeno, eu sou médio!
- Mas eu não sou pequeno, eu sou médio!
Multiuso
Hoje pela manhã...
Ele: Você vai caminhar com essa calça?
Eu: Vou, o que é que tem?
Ele: Você dormiu com ela!
Eu: É porque eu gosto de peças multiuso.
(Ele ficou quieto, mas sei que esse foi mais um ponto da minha lista de peculiaridades, ampliando as suspeitas dele sobre se casou com a pessoa certa...).
Ele: Você vai caminhar com essa calça?
Eu: Vou, o que é que tem?
Ele: Você dormiu com ela!
Eu: É porque eu gosto de peças multiuso.
(Ele ficou quieto, mas sei que esse foi mais um ponto da minha lista de peculiaridades, ampliando as suspeitas dele sobre se casou com a pessoa certa...).
"Conversa entre amigos" ou "O outro lado da moeda"
- É, preciso reconhecer uma coisa.
- O quê?
- Só no casamento é que a gente descobre quem a gente é de verdade.
- E aí, descobriu o quê?
- Que eu tenho um monte de defeito.
- Poxa, parabéns cara, não deve ser fácil enxergar isso.
- É sim, minha mulher me ajuda.
- Mesmo?
- Mesmo. Ela recita minha lista de defeitos várias vezes por dia...
- O quê?
- Só no casamento é que a gente descobre quem a gente é de verdade.
- E aí, descobriu o quê?
- Que eu tenho um monte de defeito.
- Poxa, parabéns cara, não deve ser fácil enxergar isso.
- É sim, minha mulher me ajuda.
- Mesmo?
- Mesmo. Ela recita minha lista de defeitos várias vezes por dia...
Pílulas
O Felipe diz que às vezes eu pareço ter 15 anos... Bom é o que ele acha. Eu tenho certeza!
***
O sentimento mais presente na vida de uma mãe (ao menos na minha vida de mãe) é o amor. O segundo, é a culpa... Êta como é difícil conviver com ela...
Boa semana pra vocês! Com um pouquinho menos de culpa, quem sabe. Afinal, tenho certeza de que a gente acerta muito mais do que erra!
***
O sentimento mais presente na vida de uma mãe (ao menos na minha vida de mãe) é o amor. O segundo, é a culpa... Êta como é difícil conviver com ela...
Boa semana pra vocês! Com um pouquinho menos de culpa, quem sabe. Afinal, tenho certeza de que a gente acerta muito mais do que erra!
Domingo é dia de...
Domingo é dia de abraço.
Dia de fazer cabaninha com cobertor.
Dia de entrar na piscina e aprender a nadar.
De fazer bolinhos de chuva ou de arroz.
Comer em família, ver um filme, ler um livro.
Dia de ir no parquinho, andar de bicicleta e velotrol.
Buscar pedrinhas no jardim. Fazer faxina no quarto.
Domingo é dia gordo, cor de rosa, de um rosa arredondado, redondo de aconchego, como o aconchego de um abraço.
Dia de fazer cabaninha com cobertor.
Dia de entrar na piscina e aprender a nadar.
De fazer bolinhos de chuva ou de arroz.
Comer em família, ver um filme, ler um livro.
Dia de ir no parquinho, andar de bicicleta e velotrol.
Buscar pedrinhas no jardim. Fazer faxina no quarto.
Domingo é dia gordo, cor de rosa, de um rosa arredondado, redondo de aconchego, como o aconchego de um abraço.
Pílulas
Levantar domingo cedo para pajear filho pequeno definitivamente não combina com: passar a madrugada vigiando festa de filho adolescente. Preciso ter uma conversa séria com o Daniel e o Antônio: eles vão ter que chegar num meio termo! (...). Como se isso fosse possível, né?
***
Uma dica para a evolução genética: as crianças não deviam acordar por livre e espontânea vontade antes das 8 horas da manhã. Isso realmente iria melhorar o mundo!
***
Um casal querido de amigos leu meu texto "Presente de aniversário", publicado aqui. Ficaram comovidos e me deram um ralador novo de presente!!! Estou seriamente pensando em escrever um texto envolvendo uma máquina de lavar. Vai que alguém se comove também...
***
Uma dica para a evolução genética: as crianças não deviam acordar por livre e espontânea vontade antes das 8 horas da manhã. Isso realmente iria melhorar o mundo!
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Um casal querido de amigos leu meu texto "Presente de aniversário", publicado aqui. Ficaram comovidos e me deram um ralador novo de presente!!! Estou seriamente pensando em escrever um texto envolvendo uma máquina de lavar. Vai que alguém se comove também...
domingo, 25 de agosto de 2013
O maior sentimento do mundo
Lembro bem: eu tinha acabado de completar 19 anos e achei que tinha feito xixi na calça. Era a bolsa, que havia rompido antes da hora. O Daniel nasceu às 2:15 da madrugada. Tão pequeno que cabia na mão. Até ele nascer eu não tinha muito noção do que era ser mãe. Não sabia muito da vida, do futuro, de responsabilidade, mas soube, desde o instante em que o médico o colocou nos meus braços, que aquele era o maior sentimento que poderia existir... Parabéns, Daniel, pelos seus 16 anos! Obrigada por fazer parte da nossa vida e que você seja muito, muito feliz.
Pílulas...
Uma dica para a evolução genética: as crianças não deviam acordar por livre e espontânea vontade antes das 8 horas da manhã. Isso realmente iria melhorar o mundo!
***
Um casal querido de amigos leu meu texto "Presente de aniversário", publicado aqui no face, ficaram comovidos e me deram um ralador novo de presente!!! Estou seriamente pensando em escrever um texto envolvendo uma máquina de lavar. Vai que alguém se comove também...
***
Levantar domingo cedo para pajear filho pequeno definitivamente não combina com: passar a madrugada vigiando festa de filho adolescente. Preciso ter uma conversa séria com o Daniel e o Antônio: eles vão ter que chegar num meio termo! (...). Como se isso fosse possível, né?
***
Uma hora e meia de trânsito para ir. Outra hora e quinze para voltar. Marginal completamente parada. Celular sem bateria... Foi a minha programacão hoje cedo. O que eu achei? AMEI! Tem horas que só um trânsito lento e carregado pra gente descansar.
***
Obrigada ao casal de roteiristas Nelito Fernandes e Martha Mendonça, que fizeram do meu livro um lindo - e divertido - texto para o teatro! Loguinho dou mais detalhes!
***
Um casal querido de amigos leu meu texto "Presente de aniversário", publicado aqui no face, ficaram comovidos e me deram um ralador novo de presente!!! Estou seriamente pensando em escrever um texto envolvendo uma máquina de lavar. Vai que alguém se comove também...
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Levantar domingo cedo para pajear filho pequeno definitivamente não combina com: passar a madrugada vigiando festa de filho adolescente. Preciso ter uma conversa séria com o Daniel e o Antônio: eles vão ter que chegar num meio termo! (...). Como se isso fosse possível, né?
***
Uma hora e meia de trânsito para ir. Outra hora e quinze para voltar. Marginal completamente parada. Celular sem bateria... Foi a minha programacão hoje cedo. O que eu achei? AMEI! Tem horas que só um trânsito lento e carregado pra gente descansar.
***
Obrigada ao casal de roteiristas Nelito Fernandes e Martha Mendonça, que fizeram do meu livro um lindo - e divertido - texto para o teatro! Loguinho dou mais detalhes!
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
A história do parto...
Atendendo à pedidos das amigas leitoras, segue aqui a história do parto, que faz parte do meu livro "Mãe de Dois" (ed. Civilização Brasileira)... Não é um textinho de um parágrafo, mas, enfim, não há parto no mundo que caiba em um parágrafo!!!
"Eram 21h55 de segunda-feira, dia 20 de setembro. Eu, o Felipe e minha mãe estávamos na sala de televisão da casa dela, em Três Pontas, quando resolvemos telefonar para o Daniel, para dar boa noite. Ele ainda jurava que o irmão nasceria naquela noite. “Eu sonhei, mãe, vai nascer hoje. Se nascer, alguém tem que vir buscar eu e a tia Paula em São Paulo”, ele disse, já procurando uma maneira de faltar à aula a semana toda. Desliguei o telefone com aquele sentimento comum de mãe, do tipo “que pena, o Daniel vai ficar frustrado porque hoje não vai ser”. Tinha ido à ginecologista à tarde e o bebê não mostrava nenhum sinal de querer sair. Aproveitei que o grande momento estava distante e comi três pedaços gigantescos de pizza de calabresa e um copo de liquidificador inteirinho de vitamina de frutas. Parecia que ia explodir. Era improvável caber tanta coisa dentro de uma barriga só. Mas, enfim. Comi, telefonei para o Daniel e estava pronta para assistir com o Felipe e a minha mãe a um episódio inédito de Criminal Minds quando me deu uma vontade desesperante de tomar banho.
– Você vai perder o começo e depois vai ficar perguntando – argumentou o Felipe.
– Não tem problema, preciso tomar um banho agora, estou encalorada.
Tomei uma chuveirada, de uns cinco minutos. Demorei mais enxugando o corpo e vestindo o pijama, porque qualquer movimento era difícil naqueles dias. Saí do banheiro, aliviada, relaxada, e deitei com o Felipe na sala. Acho que foram uns três minutos, porque nem deu tempo de terminar a propaganda e voltar ao seriado. Senti primeiro uma aguinha saindo, meio molhando a calça do pijama. Nem me assustei, porque de vez em quando sentia isso. Mas, então, veio a aguaceira.
– Ai, acho que a minha bolsa rompeu – eu disse.
O Felipe levantou apavorado. Eu fiquei de pé para comprovar e não precisei falar mais nada, porque mais uma torrente escorreu pelas minhas pernas. Minha mãe foi telefonar para a ginecologista. Eu fui para o banheiro, me limpar um pouco. Depois, fui arrumar as minhas coisas. A mala do Antônio estava pronta havia um tempão, mas a minha eu tinha desarrumado e rearrumado um monte de vezes. Peguei um pijama, a nécessaire, um chinelo e um sutiã. Esperei escorrer um pouco mais de água. Troquei de roupa e coloquei um absorvente. Antes de sair, liguei o computador para postar no blog. O Felipe e minha mãe quase ficaram bravos, mas como eu é que estava prestes a parir, então, esperaram com paciência.
Vantagens de uma cidade pequena: tudo é muito perto. O hospital-maternidade fica a uns seis quarteirões da casa da minha mãe. Chegamos em dois minutos. Depois de errar a entrada, chegamos à recepção. Eu não tinha nada preparado. O único documento era minha carteira de identidade – e o número do plano de saúde anotado em um papel dobrado, porque havia uns três meses tinha perdido a carteirinha. “Moça, posso me internar e alguém trazer as coisas amanhã?” Outra vantagem de cidade pequena: fiz a internação graças ao único documento, ao papel dobrado e à boa vontade alheia. A médica estava lá me esperando. Fomos para a sala de exame ambulatorial. Até ali eu não havia tido nenhuma contração, nenhum nada. Só a água escorrendo. Portanto, previa o que ela veio me dizer depois do exame de toque. “Vamos ter que fazer uma cesárea, não tem dilatação, o colo está alto etc. etc.” Eu não sofri. Sou marinheira de segunda viagem e, por mais que tenha namorado a possibilidade de um parto normal, sabia que, depois de uma cesárea, uma cirurgia abdominal, outra de ovário e sem condições plenas, nenhum médico arriscaria a me deixar horas e mais horas em indução para trabalho de parto. “Tudo bem”, eu disse, sincera e tranquila.
Segui de maca para o centro cirúrgico. Passei pelo Felipe, por minha mãe, minha avó, minha sogra e minha tia Betina. Tive um pequeno momento de pavor. Para ir do ambulatório para a sala de cirurgia, as duas enfermeiras levam a maca por uma rampa e a única coisa que segura a maca e o paciente são a força e os anos de experiência das duas senhoras. Passou pela minha cabeça, por um segundo, a imagem da enfermeira da frente tropeçando, soltando a maca e eu indo parar do outro lado do hospital. Graças a Deus, foram só alguns segundos de pensamento, o suficiente para terminarmos a rampa e chegarmos sãs e salvas. O hospital-maternidade São Francisco de Assis, o único de Três Pontas, é bem antigo. Parece a casa da minha avó, com portas e janelas enormes, venezianas de madeira e pé-direito alto. Um ar de casa, de aconchego. Um algo a mais para os que entram e os que saem. Em São Paulo, o hospital seria moderno, superaparelhado, mas sem o colo, que ali me pareceu mais com um ninho para a chegada do meu bebê.
Quem me recebeu e me mudou de maca foi o Roberto, um amigo de adolescência, colega de escola, com quem perdi contato há anos. Ele é agora o enfermeiro da sala de cirurgia, e aquele era o seu plantão. Eu estava com medo. Até hoje minhas experiências com cirurgias não haviam sido as melhores. Muita dor, mal-estar, sofrimento. Mas alguma coisa me dizia que, desta vez, seria diferente. E foi. A anestesia foi perfeita. Não senti nada e não vomitei os três pedaços de pizza e a vitamina de frutas. Tudo correu bem. Naquela sala pequena e simples, com janela de vidraça, meu filho nasceu, às dez para a meia-noite. Veio ao mundo como vêm os bebês. Sujo, enrugado, inchado, aos prantos e ao susto. Um menino grande e forte. A pediatra o examinou, aspirou e o colocou no meu peito, perto de mim. Minha mãe, na sala de parto, chorou. Eu e o Antônio ficamos tranquilos, quietos, sentindo a respiração um do outro. Foi um instante rápido, até a doutora me avisar que precisava levá-lo ao berçário, para dar banho. Minha mãe foi junto. Eu fiquei com os médicos e o enfermeiro. Na vidraça, uma chuva forte batia. Faltou luz. Por alguns segundos – que pareceram intermináveis horas – ficamos no breu. Pensei: “Meu pai, agora vão ter que terminar de me costurar à luz de velas.” Logo o gerador do hospital entrou em ação e o escuro se desfez. Foram ainda uns quarenta minutos até tudo terminar. Saí da sala de cirurgia com frio, cansada, aliviada. A família esperava por mim. Não prestei atenção no que falavam. Só guardei o que minha avó disse:
– Seu filho, o Antônio, é abençoado. Ele trouxe a chuva.
Havia três meses não chovia em Três Pontas… As enfermeiras levaram a maca até o quarto. Na veneziana de madeira, a chuva grossa escorria."
"Eram 21h55 de segunda-feira, dia 20 de setembro. Eu, o Felipe e minha mãe estávamos na sala de televisão da casa dela, em Três Pontas, quando resolvemos telefonar para o Daniel, para dar boa noite. Ele ainda jurava que o irmão nasceria naquela noite. “Eu sonhei, mãe, vai nascer hoje. Se nascer, alguém tem que vir buscar eu e a tia Paula em São Paulo”, ele disse, já procurando uma maneira de faltar à aula a semana toda. Desliguei o telefone com aquele sentimento comum de mãe, do tipo “que pena, o Daniel vai ficar frustrado porque hoje não vai ser”. Tinha ido à ginecologista à tarde e o bebê não mostrava nenhum sinal de querer sair. Aproveitei que o grande momento estava distante e comi três pedaços gigantescos de pizza de calabresa e um copo de liquidificador inteirinho de vitamina de frutas. Parecia que ia explodir. Era improvável caber tanta coisa dentro de uma barriga só. Mas, enfim. Comi, telefonei para o Daniel e estava pronta para assistir com o Felipe e a minha mãe a um episódio inédito de Criminal Minds quando me deu uma vontade desesperante de tomar banho.
– Você vai perder o começo e depois vai ficar perguntando – argumentou o Felipe.
– Não tem problema, preciso tomar um banho agora, estou encalorada.
Tomei uma chuveirada, de uns cinco minutos. Demorei mais enxugando o corpo e vestindo o pijama, porque qualquer movimento era difícil naqueles dias. Saí do banheiro, aliviada, relaxada, e deitei com o Felipe na sala. Acho que foram uns três minutos, porque nem deu tempo de terminar a propaganda e voltar ao seriado. Senti primeiro uma aguinha saindo, meio molhando a calça do pijama. Nem me assustei, porque de vez em quando sentia isso. Mas, então, veio a aguaceira.
– Ai, acho que a minha bolsa rompeu – eu disse.
O Felipe levantou apavorado. Eu fiquei de pé para comprovar e não precisei falar mais nada, porque mais uma torrente escorreu pelas minhas pernas. Minha mãe foi telefonar para a ginecologista. Eu fui para o banheiro, me limpar um pouco. Depois, fui arrumar as minhas coisas. A mala do Antônio estava pronta havia um tempão, mas a minha eu tinha desarrumado e rearrumado um monte de vezes. Peguei um pijama, a nécessaire, um chinelo e um sutiã. Esperei escorrer um pouco mais de água. Troquei de roupa e coloquei um absorvente. Antes de sair, liguei o computador para postar no blog. O Felipe e minha mãe quase ficaram bravos, mas como eu é que estava prestes a parir, então, esperaram com paciência.
Vantagens de uma cidade pequena: tudo é muito perto. O hospital-maternidade fica a uns seis quarteirões da casa da minha mãe. Chegamos em dois minutos. Depois de errar a entrada, chegamos à recepção. Eu não tinha nada preparado. O único documento era minha carteira de identidade – e o número do plano de saúde anotado em um papel dobrado, porque havia uns três meses tinha perdido a carteirinha. “Moça, posso me internar e alguém trazer as coisas amanhã?” Outra vantagem de cidade pequena: fiz a internação graças ao único documento, ao papel dobrado e à boa vontade alheia. A médica estava lá me esperando. Fomos para a sala de exame ambulatorial. Até ali eu não havia tido nenhuma contração, nenhum nada. Só a água escorrendo. Portanto, previa o que ela veio me dizer depois do exame de toque. “Vamos ter que fazer uma cesárea, não tem dilatação, o colo está alto etc. etc.” Eu não sofri. Sou marinheira de segunda viagem e, por mais que tenha namorado a possibilidade de um parto normal, sabia que, depois de uma cesárea, uma cirurgia abdominal, outra de ovário e sem condições plenas, nenhum médico arriscaria a me deixar horas e mais horas em indução para trabalho de parto. “Tudo bem”, eu disse, sincera e tranquila.
Segui de maca para o centro cirúrgico. Passei pelo Felipe, por minha mãe, minha avó, minha sogra e minha tia Betina. Tive um pequeno momento de pavor. Para ir do ambulatório para a sala de cirurgia, as duas enfermeiras levam a maca por uma rampa e a única coisa que segura a maca e o paciente são a força e os anos de experiência das duas senhoras. Passou pela minha cabeça, por um segundo, a imagem da enfermeira da frente tropeçando, soltando a maca e eu indo parar do outro lado do hospital. Graças a Deus, foram só alguns segundos de pensamento, o suficiente para terminarmos a rampa e chegarmos sãs e salvas. O hospital-maternidade São Francisco de Assis, o único de Três Pontas, é bem antigo. Parece a casa da minha avó, com portas e janelas enormes, venezianas de madeira e pé-direito alto. Um ar de casa, de aconchego. Um algo a mais para os que entram e os que saem. Em São Paulo, o hospital seria moderno, superaparelhado, mas sem o colo, que ali me pareceu mais com um ninho para a chegada do meu bebê.
Quem me recebeu e me mudou de maca foi o Roberto, um amigo de adolescência, colega de escola, com quem perdi contato há anos. Ele é agora o enfermeiro da sala de cirurgia, e aquele era o seu plantão. Eu estava com medo. Até hoje minhas experiências com cirurgias não haviam sido as melhores. Muita dor, mal-estar, sofrimento. Mas alguma coisa me dizia que, desta vez, seria diferente. E foi. A anestesia foi perfeita. Não senti nada e não vomitei os três pedaços de pizza e a vitamina de frutas. Tudo correu bem. Naquela sala pequena e simples, com janela de vidraça, meu filho nasceu, às dez para a meia-noite. Veio ao mundo como vêm os bebês. Sujo, enrugado, inchado, aos prantos e ao susto. Um menino grande e forte. A pediatra o examinou, aspirou e o colocou no meu peito, perto de mim. Minha mãe, na sala de parto, chorou. Eu e o Antônio ficamos tranquilos, quietos, sentindo a respiração um do outro. Foi um instante rápido, até a doutora me avisar que precisava levá-lo ao berçário, para dar banho. Minha mãe foi junto. Eu fiquei com os médicos e o enfermeiro. Na vidraça, uma chuva forte batia. Faltou luz. Por alguns segundos – que pareceram intermináveis horas – ficamos no breu. Pensei: “Meu pai, agora vão ter que terminar de me costurar à luz de velas.” Logo o gerador do hospital entrou em ação e o escuro se desfez. Foram ainda uns quarenta minutos até tudo terminar. Saí da sala de cirurgia com frio, cansada, aliviada. A família esperava por mim. Não prestei atenção no que falavam. Só guardei o que minha avó disse:
– Seu filho, o Antônio, é abençoado. Ele trouxe a chuva.
Havia três meses não chovia em Três Pontas… As enfermeiras levaram a maca até o quarto. Na veneziana de madeira, a chuva grossa escorria."
Parto normal ou cesárea?
- Pra que dia você quer deixar agendado o parto? - perguntou a secretária no consultório da minha ginecologista.
- Como assim?
- É, todo mundo deixa agendado de uma vez.
- Tipo: Alô, é do salão da Fatinha, Marca pé e mão pra mim???
A secretária ficou me olhando (mas a cara dizia: sim, tipo assim).
- Agradeço a gentileza, mas não vou marcar não. - e entrei logo na sala da ginecologista falando que, a não ser que fosse caso de vida ou morte, eu não ia agendar uma cesareana.
Tentei, até o último minuto, ter parto normal (e com recursos um tanto quanto duvidosos, como tomar um vidro de óleo de rícino, por indicação da minha peculiar mãe). No final, não deu, tive que fazer cesárea. Mas, sem hora marcada. Pelo menos me dei o gostinho da surpresa, de esperar algum sinal da natureza... E ele veio em forma de água, com o rompimento da bolsa, de madrugada.
Não sei o que vocês acham disso, mas eu acredito no parto normal, ou, ao menos, na tentativa...
Aliás, segue o link de um filme que fala sobre isso. Um beijo para todas!
http://orenascimentodoparto.com.br/#/pagina/onde-ver
- Como assim?
- É, todo mundo deixa agendado de uma vez.
- Tipo: Alô, é do salão da Fatinha, Marca pé e mão pra mim???
A secretária ficou me olhando (mas a cara dizia: sim, tipo assim).
- Agradeço a gentileza, mas não vou marcar não. - e entrei logo na sala da ginecologista falando que, a não ser que fosse caso de vida ou morte, eu não ia agendar uma cesareana.
Tentei, até o último minuto, ter parto normal (e com recursos um tanto quanto duvidosos, como tomar um vidro de óleo de rícino, por indicação da minha peculiar mãe). No final, não deu, tive que fazer cesárea. Mas, sem hora marcada. Pelo menos me dei o gostinho da surpresa, de esperar algum sinal da natureza... E ele veio em forma de água, com o rompimento da bolsa, de madrugada.
Não sei o que vocês acham disso, mas eu acredito no parto normal, ou, ao menos, na tentativa...
Aliás, segue o link de um filme que fala sobre isso. Um beijo para todas!
http://orenascimentodoparto.com.br/#/pagina/onde-ver
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Manual de sobrevivência em festas infantis
1) Não perca tempo: Trate de puxar conversa com alguma mãe na porta da escola desde o primeiro dia de aula do pimpolho. Assim, quando chegar o aniversário de algum coleguinha vocês duas podem sentar juntas na festa e bater um papo solidário, sem aquela cara de “sobrei” ou “vale o sacrifício” da maioria dos pais, com exceção dos pais do aniversariante, que estampam a cara “me perdoa, fiz pelo meu filho, já vai acabar”.
2) Controle-se: Faça o possível e o impossível para não dar uma bronca ou um safanão em um pequeno atentado. Lembre-se: a mãe pode estar ali por perto!
3) Foque na comida: O tempo passa mais rápido quando você tem uma meta e experimentar todos os salgados e doces duas vezes pode ser um ótimo passa tempo (portanto, vá de barriga vazia).
4) Libere a criança que existe em você: Se a festa for num bufê, aproveite para brincar, pode ser bem divertido! Atenção: apenas em brinquedos sem limite de idade, lembrando que não será agradável a lembrança de, ficar entalada no escorregador da piscina de bolinha e virar o centro de atenções da festa até ser socorrida.
2) Controle-se: Faça o possível e o impossível para não dar uma bronca ou um safanão em um pequeno atentado. Lembre-se: a mãe pode estar ali por perto!
3) Foque na comida: O tempo passa mais rápido quando você tem uma meta e experimentar todos os salgados e doces duas vezes pode ser um ótimo passa tempo (portanto, vá de barriga vazia).
4) Libere a criança que existe em você: Se a festa for num bufê, aproveite para brincar, pode ser bem divertido! Atenção: apenas em brinquedos sem limite de idade, lembrando que não será agradável a lembrança de, ficar entalada no escorregador da piscina de bolinha e virar o centro de atenções da festa até ser socorrida.
Persistência
Se a minha irmã tiver para a vida a mesma persistência que ela tem para o regime, ave, ela vai ter sucesso!!!
Ser mãe é...
Ser mãe é... comer bolacha babada, lamber os dedos e achar que não tem problema nenhum nisso...
Tema da festa
O Antônio já escolheu o tema do aniversário de três anos. Peixonauta? Super-herói? Fazendinha? Circo? Patati Patatá? Não. Bob Marley... O que eu vou fazer de surpresinha? Um aplique de rastafári? Não sei o que vou explicar para as mães dos amiguinhos. Acho melhor escrever uma placa e colocar no meu peito pendurada durante toda a festa: NAO TENHO NADA A VER COM ISSO. O menino tem vontade própria, fazer o quê?
Perda de peso
- Você conseguiu perder peso? - perguntou a babá de um colega do Antônio, que tem acompanhado minha luta para tentar engatar uma caminhada...
- Consegui!
- Quantos quilos?
- Na consciência, muitos. Na balança, zero. (mas já é melhor que nada)!
- Consegui!
- Quantos quilos?
- Na consciência, muitos. Na balança, zero. (mas já é melhor que nada)!
Opinião Pública
Na doce vivência da maternidade existem fatos incontestáveis
com os quais você tem que lidar. Um deles é o de que a rua é um mundo paralelo,
um universo surreal onde as leis da rotina familiar, definitivamente, não se
aplicam. Porque na rua existe um vilão, um aliado que a criança descobre antes
mesmo de aprender a pronunciar a primeira sílaba: a opinião pública. E não se
iluda, minha amiga. Perante a opinião pública você sempre será crucificada.
Quer um exemplo clássico? A birra. Em casa você sabe como lidar com ela (ou
não). Mas, de um modo ou de outro, sabe como se virar. Na rua, não. Basicamente, é assim:
-
Se você conversa com a criança calmamente, em
total estilo mãe-ultra-moderna-antenada-na-pedagogia-da-conversa-e-explicação
ou se resolve fingir que não é com você enquanto a criança berra e esperneia,
imediatamente recebe os olhares do tipo “criança mimada, bem feito, culpa da
mãe”.
-
Se você repreende a criança ou, dependendo da
birra e do motivo, dá-lhe uma palmada, imediatamente recebe os olhares do tipo “vou
chamar o conselho tutelar”.
Outro dia fui com o Antônio na feira aqui perto de casa e
ele jogou, de propósito, um como de suco no chão, porque não queria. E eu
estava já num processo de explicar que não se pode desperdiçar comida, porque
tem muita gente passando fome, etc, etc. Foi tipo uma gota d’água nesse
processo e eu, que raramente dou uma palmada nos meus filhos, tasquei-lhe uma
palmada na mão. A opinião pública foi
implacável e se não fosse o dono da barraca de pastel, que já me conhece, me
dar um suporte, eu teria sido linchada ou levada para a delegacia...
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Não há mais lobos como antigamente
“De novo”, eu dizia ao final das histórias que contavam para
mim antes de dormir. Não cansava de escutar,
pela milionésima vez, Os Três Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho, João e Maria, e
tantas outras que povoaram meu universo infantil. Eram parte da minha
realidade. Uma realidade inventada e, muitas vezes, mais concreta que qualquer
outra. Eu tinha medo do lobo. Tinha medo de ir ao banheiro à noite porque a
bruxa da branca de neve podia surgir por debaixo da cama. Lembro de ter chorado
algumas vezes no escuro, sozinha. Fiz xixi no colchão. Tive vontade de pedir
ajuda. Não pedi. Eu tinha medo, mas ainda assim era menor que o fascínio que as
histórias proporcionavam em mim.
Um medo que passou. Foi. Sumiu. Pelo menos há muito tempo
não estou nem aí para o lobo mau e nem paro para pensar na bruxa quando me
levanto de madrugada. Não coloco a mão
no fogo quanto à sua existência, mas já não me metem medo. Hoje, meus medos são
outros, talvez maiores e mais profundos, e por mais difícil que às vezes possa
parecer, sei que consigo vencê-los assim como venci os fantasmas da minha
infância. Fantasmas que estão deixando
de existir.
Os canais de desenhos da TV oferecem o conforto de poder
deixar seu filho assistir à televisão sabendo que tudo será bom, educativo e
politicamente correto. Politicamente correto demais, esse é o problema. Na
história da Chapeuzinho Vermelho o lobo não engole a vovó viva, nem é morto
pelo lenhador e muito menos tem sua barriga aberta à faca para resgatar a vovózinha
viva e inteira. Na bela animação do canal de TV, o lenhador sai correndo para
assustar o lobo, que aprende a lição e, ao final, todos festejam ao redor de um
bolo confeitado. Felizes, sorridentes e amigos para sempre.
Certa vez ouvi uma frase que dizia mais ou menos assim: “Não
devemos ensinar às crianças que os monstros não existem. Eles existem. Devemos
ensiná-las como derrota-los”. E é isso
que falta não só nos desenhos e livros infantis, mas em praticamente tudo hoje
em dia: sob a bandeira do politicamente correto a vida está ficando no meio
termo, na zona de conforto onde não há monstros para derrotar. A necessidade de
ser politicamente correto tem contribuído para reduzir a capacidade – ou coragem
– de refletir, buscar respostas, superar, pensar e expor os pensamentos, de ser
diferente. Ser politicamente correto, no sentido que o termo tem sido usado,
significa ter a mesma opinião do que é considerado politicamente correto
(considerado por quem?), como se isso, apenas isso, definisse a retidão de uma
pessoa. Como se integridade, caráter, respeito, generosidade e outra infinidade
de características não tivessem importância.
Não estou aqui defendendo o politicamente incorreto nem o
mau. Muito pelo contrário. Quero que meus filhos aprendam a respeitar os outros
e o mundo em que vivem. Acredito que, assim, não irão ofender ou agredir as
pessoas nem o planeta. Mas não quero que tenham medo de pensar, discordar e,
muito menos, que lhes falte força para enfrentar os próprios medos e o que for
preciso ao longo da vida. Quero que
sejam boas pessoas, mas que sejam livres para pensar e sentir e que não tenham
preguiça disso. E é possível, sim, ser essas
coisas todas ao mesmo tempo, ou tentar sê-las.
Vou continuar ligando a TV para meu filho pequeno com seus
desenhos lindos e educativos. De todo
modo, achei por bem resgatar um contraponto e fui à livraria. Demorou, mas
depois de folhear uma infinidade de livros infantis com lobos arrependidos e bonzinhos,
encontrei uma versão dos Três Porquinhos com direito à lobo muito malvado e um
enorme caldeirão de água fervente. Um trágico fim, mas um bom ponto de partida.
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